Para Abha

Hoje o tempo fez silêncio
só pra te ver florescer,
como quem abre o caminho
só pra gente se perder — e se encontrar sem querer.
Na estrada meio torta,
dormindo onde der pra deitar,
no chão, na alma, no mundo,
aprendendo junto a amar.
Já teve noite sem teto,
já teve riso no aperto,
já teve pneu furado
e a gente ali — meio louco, meio certo.
Mão suja, coração aberto,
e tu comigo, firme e perto,
segurando a vida no peito
como quem sabe: isso é o que importa, isso é o certo.
Teu cheiro misturado com terra,
com sol, com suor e verdade,
é casa que eu reconheço
em qualquer canto da realidade.
A gente ama até saturar,
até transbordar, até cansar —
mas nunca falta coragem
pra de novo recomeçar.
Porque nosso amor não é leve…
é inteiro, é denso, é missão,
é plantar futuro no barro
com riso, com fé, com as mãos.
E no meio disso tudo — a beleza:
até o que o mundo evita e rejeita,
a gente devolve pra terra…
e transforma em vida perfeita.
Dois viajantes da luz,
sem mapa, mas com direção,
fazendo da própria existência
um ato vivo de revolução.
Abha,
te amar é estrada sem fim,
é tropeço que vira dança,
é caos que floresce em jardim.
Que a vida siga nos jogando
nos lugares que a gente nem planejou,
porque no fundo a verdade é simples:
não importa onde —
se for contigo,
é em mim.
✨🚐🌿